Assistir aos noticiários televisivos tonou-se uma tarefa deprimente. Não só pela monocromia temática, mas igualmente pela falta de qualidade de algumas peças jornalísticas.
Qualquer acontecimento com algum impacto mediático é explorado e consumido até à exaustão. Para além dos espectáculos degradantes a que vamos assistindo no nosso parlamento, protagonizados pelos do costume, ainda há pouco eramos inundados (passo a ironia) pelas cheias do Mondego, e antes pela tempestade Kristin, que lamentavelmente trouxeram tragédia e avultados estragos, e num piscar de olhos aqui estamos debruçados sobre a guerra no Médio Oriente.
Um criminoso, condenado, que dirige em contramão a maior potência militar do mundo, decidiu pegar nos seus brinquedos bélicos e jogar à batalha naval, numa região que conhece tão bem como eu conheço Saturno. Bastou deixar-se arregimentar por outro fora da lei, com mandados de captura pelo Tribunal Penal Internacional, que não descansa enquanto não arrasar com todos os países que rodeiam o seu Estado, e cuja guerra lhe é conveniente para se manter longe do julgamento por corrupção em que está envolvido.
Os motivos do ataque ao Irão variam conforme as luas. Já ouvimos de tudo. Certo é que algum do comentariado, ingénua ou cinicamente, continua a acreditar na fábula da mudança de regime, que, é certo, é dos mais aterradores à face da terra. Ou então especulando sobre o programa nuclear iraniano, que julgávamos obliterado, segundo palavras categóricas do referido Yankee. Desses analistas especialistas destacam-se alguns graduados pela academia do Observador, outros acabados de sair da creche. Advogam que os fins justificam os meios, mesmo que se faça ao arrepio desse empecilho chamado Direito Internacional. Bem, se formos por aí, então há muito país candidato a ser bombardeado! Para esses mesmos sofistas, a morte de crianças, assim como a terraplanagem de habitações e infra-estruturas tornam-se apenas notas de rodapé.
Quer o criador do “Conselho para a Paz” (!), quer o seu agenciador judeu, embarcaram numa aventura que ninguém sabe como acabará, nem que consequências a médio e longo prazo irá acarretar. Certo é que o ataque ao Irão resultou num ataque à economia global. A factura já começou a chegar aos nossos bolsos, com a subida brutal dos combustíveis, assim como dos bens de consumo. Inflação, aumento das taxas de juro, empobrecimento, recessão, etc. estão à espreita. Aqui estão os resultados das tropelias do nosso grande aliado!
Boçalidade, ódio, divisionismo, cobardia, tirania, guerra, sofrimento, tragédia, morte, atentado à(s) democracia(s) e liberdades, desestabilização da ordem mundial, entre outros, são o prato do dia dos noticiários. Pensemos na forma como cada um apreende esta tela. Reflictamos sobre as consequências no estado emocional e nas perspectivas dos cidadãos, em particular nos mais jovens e nos mais frágeis.
Felizmente, para além da leitura de um bom livro ou da imprensa escrita (independente e séria), não faltam inúmeros programas televisivos com os quais podemos aprender e a desanuviar deste mundo alucinante, durante os nossos momentos de descanso ou de ócio.