Mostrar mensagens com a etiqueta Artes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Artes. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 28 de maio de 2024

A aprendizagem da liberdade, autonomia, resistência e empatia

Entre os dias 27 de Outubro de 2023 e 3 de Maio de 2024 decorreu no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa o Ciclo de Conferências sobre os Futuros da Educação, da Cátedra UNESCO. Dos vários conferencistas presentes escolhi falar sobre o professor e pedagogo neerlandês Gert Biesta, pela forma curiosa e interessante como explora alguns conceitos, em particular o de “resistência”.
Numa entrevista dada ao DN (20/04/2024), Gert Biesta é questionado precisamente sobre o destaque dado à palavra “resistência” no seu trabalho académico. Perante a indagação do entrevistador, e ao contrário do que à primeira vista se poderia supor, quero dizer, que tipo de contextualizações ou associações poderiam ser feitas à referida palavra, o entrevistado surpreende (ou não) ao dizer que “é importante que as crianças e os jovens tenham muitas oportunidades de trabalhar com o que, no currículo inglês, é conhecido como “materiais resistentes”, ou seja, madeira, metal, pedra, argila, entre outros”. Pois, como a seguir o fundamenta, “ao trabalhar com estes materiais, ao jovem é-lhe permitido perceber que nem todas as ideias que tem sobre o que gostaria de fazer são, realmente, possíveis.” Sem descurar outras áreas de conhecimento, deixa claro que o artesanato e as artes são importantes campos de prática, a partir da qual as crianças e os jovens se confrontam com os limites do seu pensamento e acção, ao mesmo tempo que despertam para a necessidade de dialogar com o mundo real, estimulando a convivência democrática. Gert Biesta não fará mais do que relembrar o que vem sendo defendido desde tempos imemoriais, mais concretamente, que as manualidades representam um meio privilegiado para explorar um conjunto de conceitos edificadores do carácter do indivíduo.
Por outro lado, Biesta lembra a imperativa necessidade de os pais tomarem consciência de que devem conter os impulsos mais primários ou inconscientes dos seus filhos, de que tudo podem ter. Evocando de novo o termo “resistência”, o autor sublinha que “há a necessidade de os pais oferecerem resistência aos desejos dos seus filhos, porque se dissermos sim a tudo o que eles pedem e desejam iremos transformá-los em crianças mimadas, em vez de os ajudarmos a perceber que nem tudo o que é desejado é realmente desejável.” Em contraponto, defende que os educadores deverão dar particular atenção à aprendizagem do que significa e implica a liberdade. Uma liberdade associada à autonomia, desde que esta se desenvolva em comunhão com os outros, e não apenas uma forma de viver “em roda livre”. Uma liberdade, como sublinha Biesta, que passe por uma partilha do mesmo espaço, onde se respeitem os outros, o que exige sempre compromissos e limitações. Embora reconhecendo representar um grande desafio, defende que a ambição da Educação deverá passar por encorajar as crianças e os jovens a tornarem-se indivíduos democráticos. Entretanto, e para conseguir esse desiderato, advoga que muito terá de mudar na forma como a escola está organizada e como desenvolve o seu ensino.
Por oposição a uma educação mensurável, previsível e padronizável, em que critica a pressão feita sobre as escolas, para garantir que os alunos tenham avaliações “altas” em competências e conhecimentos mensuráveis (intensificada pelo PISA, que considera um sistema de avaliação ridículo), Biesta contrapõe com a autonomia, resistência e empatia. Atente-se que, actualmente é uma autêntica insanidade a burocracia instalada nas escolas, que embriaga tudo e todos. Um sem número de documentos e procedimentos, quantos deles absurdos, acriticamente aceites e utilizados no processo educativo, que mais não fazem do que elevar os níveis de stresse dos professores, retirando-lhes tempo para prepararem convenientemente as aulas. Mais do que os fins, Biesta releva os meios para dotar as crianças e os jovens das ferramentas de que necessitarão para enfrentar os desafios que a vida lhes reserva.
Face aos problemas com que a humanidade se depara, como o caso da crise climática, importará, no plano educativo, sensibilizar as crianças e jovens para esta e outras questões que os convoca. Biesta chama a isto “Educação centrada no mundo”. Uma educação que lhes permita trilhar o seu caminho, conquistando a sua independência, assumindo responsabilidades. Como defende o autor, uma educação que aborde o “julgamento democrático”, concentrado no valor de viver a vida na pluralidade e na diferença, com uma orientação para a igualdade e para a paz.

terça-feira, 17 de outubro de 2023

A falta de professores. Sobretudo dos “principais”!

As notícias sobre a falta de professores no ensino básico e secundário, nalgumas disciplinas, têm sido, infelizmente, recorrentes. É um problema sério, com um horizonte que não augura nada de bom. O número de docentes que se têm formado anualmente está muito longe de compensar os que se estão a aposentar. Nem as medidas agora avançadas pelo governo apontam para uma resolução eficaz, num prazo mais ou menos alargado. Diga-se, em abono da verdade, que a carreira de professor não consegue ser atractiva para os candidatos ao ensino superior. O nível de burocratização a que os professores estão sujeitos, a sua desqualificação por parte de governos e da sociedade em geral, as más condições de trabalho verificadas em muitas escolas e uma tabela salarial que não tem em conta as enormes responsabilidades, a carga de trabalho e as despesas que suportam (traduzido por miúdos, salários que não permitem ter uma vida estável, programada e, por isso, livre de freimas), de modo algum poderão seduzir os jovens, que terminam o ensino secundário, a enveredar por um curso de formação de professores. Poucos estarão dispostos a dar o corpo e a alma por uma profissão sujeita a todos os problemas que acabo de elencar, para além de outros, por muito vocacionados que se sintam.Imagino e compreendo o alívio dos pais que vêem os seus filhos com todos os professores presentes. Também há aqueles que, apesar de faltar um ou outro professor da turma, sentem também algum alívio por os seus filhos terem, pelo menos, os professores das “principais” disciplinas. E aqui chego ao que verdadeiramente motivou este texto.
Aqui há relativamente poucos anos, um sábio e esclarecido ex-ministro da Educação, que me escuso a nomear, não utilizava o termo “principais”, mas algo equivalente: “fundamentais”. Referia-se o dito governante às disciplinas de Matemática, Português, Ciências e pouco mais. Aquelas que vulgarmente se designam de “estudo”. Como se houvesse disciplinas em que não se tenha de estudar!
Ora este é um tema que já explorei em vários artigos e que já me fez perder a esperança de que algum dia isto mude, neste pequeno rectângulo banhado pelo Atlântico. Refiro-me, em concreto, à desvalorização das disciplinas de artes ou de ensino/educação artística por parte de sucessivos governos e pela sociedade em geral, ao contrário do que sucede, por exemplo, em países do centro e norte da Europa. O que as últimas décadas dão conta é das sucessivas reformas, melhor dizendo, remendos curriculares que acabam sempre ou quase sempre por penalizar as disciplinas artísticas, tidas, está visto, apenas como um adorno no currículo. Falo das Artes Visuais, da Educação Musical, da Dança ou Teatro. Estas duas últimas existentes em pouquíssimas escolas. Poderia juntar ao grupo, e bem, a Educação Física e a Educação Tecnológica, esta última nas ruas da amargura! E quando não são os governos a cortar-lhes na carga lectiva, reduzindo-as quase à insignificância, são os próprios directores, alguns deles, a fazê-lo de forma obsequiosa. O que dá conta da enorme sageza e mundividência destes gestores escolares para com esta questão, tal como para tantas outras!
É verdade que a falta de professores nestas disciplinas é coisa rara e circunstancial (por enquanto!), mas os meus 30 anos de serviço, passados por várias escolas, mais o que vou lendo e ouvindo, dão conta de que é algo que não tira o sono a muitos pais. O que interessa mesmo são as disciplinas “principais”! Pena é que muita gente não pare sequer um minuto para pensar e, perante o mundo distópico em que vivemos, se questione sobre quais as aprendizagens verdadeiramente prioritárias a considerar na educação dos jovens. Pena é que não se dêem conta de que o que tirou o homem das cavernas e o trouxe até à Inteligência Artificial se deu, em boa parte, graças à imaginação e à criatividade. Como dizia Dulce Maria Cardoso, “o criador encontra o que ainda não existe e apresenta-o ao mundo”. A escritora resume bem esta mentalidade lusa, de subvalorização daquele que tem a capacidade de criar, nestas breves palavras: “O menor respeito, ou desrespeito, que existe em relação à criação artística e aos criadores resulta de se considerar que a sociedade não sobrevive sem engenheiros, médicos, operários, agricultores, mas que seria possível sobreviver sem criadores, mesmo que isso correspondesse a uma sociedade estagnada em termos de progresso e imaginação”(JL, Ano XLIII, nº 1383). E de humanismo, acrescento eu.

segunda-feira, 24 de abril de 2023

O espaço das artes e da cultura na escola

O desenvolvimento e o progresso de uma sociedade ou de um país podem medir-se pela importância que atribui às artes e à cultura, e daí no investimento que nelas faz. A UNESCO e a OCDE são duas organizações, entre outras, que têm apontado para esta realidade insofismável, através dos diferentes relatórios e pareceres que têm produzido ao longo dos tempos. Infelizmente ainda são muitos os países que não priorizam esse desígnio. Nestes casos, o desfecho é claro: sociedades menos educadas, menos humanistas, menos criativas, menos livres.
Para além dos necessários recursos que deverão ser proporcionados pelos governos aos diferentes agentes e instituições culturais, o investimento nas artes e na cultura passa igual e forçosamente pela educação. Dotar as escolas de espaços adequados e dos mais variados equipamentos e recursos materiais, assim como fixar uma carga horária semanal decente às disciplinas de ensino artístico, são condição sine qua non para a sua leccionação eficiente, assim como para levar a cabo projectos de educação para as artes e para a cultura. Quando me refiro a uma “carga horária decente”, faço-o para dar conta da aleatoriedade que a chamada “flexibilização curricular” permite às direcções das escolas fazer em matéria de horários escolares, e que em muitos casos resulta na subtracção de tempos lectivos às disciplinas de ensino artístico (Educação Visual, Educação Musical, teatro, etc.), para cedê-los a outras disciplinas. Aquelas que um douto ex-ministro da Educação, Nuno Crato, apelidou de “fundamentais”! Não surpreende este (pre)conceito e esta visão estreita, pois ela é, ainda hoje, partilhada dentro das escolas por alguns professores, e fora delas por vários pais. Veja-se, a respeito destes últimos, já assisti a manifestações de preocupação, quando não mesmo de indignação, quando são confrontados com o desejo dos seus filhos, terminado o ensino secundário, quererem seguir um curso superior de artes. A vocação ou a realização pessoal dos filhos é secundarizada face à vontade, 
aos desejos ou aos sonhos dos progenitores!
Apesar destas desmesuras, ainda podemos contar com o altruísmo e o empenho de gente que conhece as potencialidades das artes na humanização e progresso das sociedades, seja dentro ou fora das escolas. E aqui chego a um relevante projecto de âmbito nacional, iniciado em 2019, o chamado Plano Nacional das Artes (PNA). A iniciativa partiu de Graça Fonseca (na altura ministra da Cultura) e João Costa (então secretário de Estado e actual ministro da Educação), numa parceria entre os dois ministérios, e pretendia criar uma plataforma com o propósito de fundir cultura e escola. Para tal, seria convidado Paulo Pires do Vale, investigador, filósofo e curador de exposições, para conceber e comissariar esse projecto, tendo o próprio começado por se interrogar: “O que pode a arte? Como se constrói uma comunidade onde a cultura seja transformadora na vida dos cidadãos?” No momento, Paulo Vale manifestou a sua convicção de que “a cultura possa ser um depósito da Humanidade”, e “a arte um veículo que nos transporta na descoberta de lugares que por vezes nem sabemos que temos dentro de nós.” (Expresso - Revista Especial nº4, de 10/03/2023)
O PNA começou com a adesão de 65 agrupamentos e hoje conta já com 403. Tive o privilégio de ter participado nesta iniciativa, há poucos anos, num dos que a ela aderiu, o Agrupamento de Escolas Gomes Monteiro, de Boticas, através daquilo que o mesmo intitulou de Plano de Promoção das Artes, no qual projectei e dinamizei algumas actividades, com destaque para a criação daquilo que apelidei de “Espaço CriARTE”. Na prática, tratou-se de uma transformação que operei na sala de aula de Educação Visual (3º ciclo), convertendo-a num espaço polivalente que, para além da actividade lectiva, funcionou como galeria de exposições, oficina de artes plásticas, espaço para workshops levados a cabo por artistas convidados, e ainda para actividades/apoio a alunos com necessidades específicas. Saliento ainda a minha colaboração, no âmbito da disciplina de Educação Visual, num projecto de parceria entre o agrupamento, a autarquia e a Universidade do Minho, que incidiu no estudo dos castros existentes no concelho. Para estas e outras actividades, foi determinante a sensibilidade, a visão e o apoio da direcção dessa escola, que não poupou esforços para dar todas as condições e recursos para levar a cabo as inúmeras actividades projectadas. Algumas delas tiveram a colaboração da autarquia, da biblioteca municipal, entre outras entidades.
Este é apenas um exemplo, entre muitos outros, do trabalho que se pode desenvolver nas escolas, com impacto na educação e formação dos jovens. Basta, para tal, haver sapiência, sensibilidade, capacidade de visão e vontade da parte de quem tem o poder de decidir e apoiar este tipo de iniciativas, dentro e fora da escola.

terça-feira, 30 de junho de 2020

Sem fins lucrativos


“(…) as humanidades e as artes proporcionam competências
essenciais para manter a democracia de boa saúde (…)”

Martha C. Nussbaum


Este é o título dado a um livro de Martha C. Nussbaum, filósofa norte-americana com uma vasta obra sobre temas diversos, dos quais destacaria a filosofia grega, a filosofia política e a ética. Publicado pela primeira vez em 2010, o livro tem como subtítulo, “Porque precisa a democracia das humanidades”. Num período em que várias democracias se vêem ameaçadas por extremismos, pelo renascer de movimentos xenófobos e racistas, pela ascensão de partidos de extrema-direita ao poder, juntando-se ainda as manifestações a que temos assistido um pouco por todo o mundo, despoletadas pela morte do afroamericano George Floyd às mãos de um polícia, a obra em referência merece ser lida, para que paremos um pouco para reflectir sobre o rumo que humanidade perigosamente vem seguindo. Tendo por base a maiêutica socrática, Nussbaum destaca a importância central das humanidades em todos os níveis de ensino, discorrendo sobre as razões pelas quais deverão ser consideradas incontornáveis para a criação de cidadãos democráticos competentes e para a coesão social.
O título, “Sem fins lucrativos”, surge a propósito de uma certa mentalidade instalada, que começa desde logo em casa, mas que está igualmente presente na sociedade em geral, nos governos e no ensino. Qual o pai ou mãe que não sustem a respiração quando um filho decide enveredar por um curso superior de artes ou de humanidades? Logo são tomados pela preocupação com o futuro económico ou financeiro do seu educando, revelando, deste modo, um ponto de vista centrado apenas na rentabilidade. Nussbaum rejeita a ideia de que a educação seja vista, acima de tudo ou quase em exclusivo, como um instrumento para o crescimento económico. Tomando como principal exemplo o sistema educativo americano, a autora ilustra vários casos em que as humanidades e as artes têm sido subalternizadas nos diferentes níveis de ensino, destacando o superior. Neste, a aposta continua a fazer-se nas ciências, nas tecnologias, nas engenharias, na matemática e afins. As disciplinas que permitem o estudo da literatura, das artes, da filosofia e de outras áreas das humanidades têm sido paulatinamente eliminadas, por se considerarem “inúteis” ou supérfluas, ficando os currículos esvaziados desta componente essencial ao desenvolvimento do pensamento crítico e independente, do sentimento de comunidade, de uma consciência ecológica e de uma cidadania plena. E assim estarão os decisores a contribuir para que continuemos enredados neste mundo da “pós-verdade” e dos “factos alternativos”!
No entanto, partindo de vários exemplos elucidativos, a autora faz ver como as humanidades são importantes para a inovação e para o tão desejado sucesso económico e empresarial. Inclusive cita casos de responsáveis de grandes empresas que reconhecem a importância de ter nos seus quadros mentes abertas, flexíveis, criativas, com pensamento crítico, com capacidade de resolução de problemas, competências, estas, tão caras às humanidades e às artes. Outro argumento apresentado pela autora, ao qual não são indissociáveis as questões que atrás mencionei, quando me referia a extremismos e aos acontecimentos que têm estado na praça pública, prende-se com questões existenciais, com a nossa relação com os outros e com a cidadania. Aqui, sublinho duas das conclusões de Nussbaum, quando defende o papel das humanidades na educação do sujeito: a primeira, a de que a batalha por uma democracia responsável e uma cidadania vigilante não só é urgente como possível vencer; a segunda, e aqui cito, “Uma educação adequada para viver numa democracia pluralista deve ser multicultural, isto é, deve familiarizar os estudantes com alguns aspectos fundamentais das histórias e culturas dos muitos grupos diferentes com quem partilham leis e instituições. Estes devem incluir grupos de cariz religioso, étnico, económico, social e de género”.
Em síntese, Nussbaum defende uma educação naquilo que designa de “artes liberais” (e que abarca as humanidades e as artes), que reconhece que o ensino superior deve preparar os estudantes não só para uma carreira, mas também para uma plena cidadania e para a vida. 

domingo, 16 de fevereiro de 2020

“PORTO, um pulsar a cada esquina”


EXPOSIÇÃO DE PINTURA

Apresentação

Quem se passeia por algumas das ruas mais típicas da cidade do Porto não ficará certamente indiferente à sua beleza, patente nos mais variados retractos que elas nos oferecem. A cada esquina dobrada, um novo postal, feito de surpresa ou encanto, revela-se aos nossos olhos. Telhados, paredes-meias, águas furtadas, escadarias, túneis, arcos, varandas floridas, aromas, pregões, prosa e, claro, o Douro, são condimentos que abundam e que fazem parte da alma e da história da Invicta. 
Palmilhando algumas dessas ruas desde a Sé, passando pelo bairro da Ribeira, até chegar ao Douro, fui registando cada cenário que a labiríntica zona me oferecia, e que agora trago a público através desta colecção de aguarelas.
Rui Duarte


 





quarta-feira, 3 de julho de 2019

Plano Nacional das Artes

No dia 18 de Junho os ministérios da Educação e da Cultura apresentaram, em conjunto, o designado Plano Nacional das Artes (PNA), já aprovado a 7 de Fevereiro através da Resolução do Conselho de Ministros n.º 42/2019. A iniciativa aponta para o horizonte temporal 2019-2029, e visa criar maior proximidade entre alunos e o mundo artístico. No seu preâmbulo, o diploma destaca a relevância da cultura e das artes como factores de desenvolvimento e promoção da coesão territorial, reconhecendo o seu potencial “na multiplicidade das suas manifestações, para cultivar o respeito pela diversidade, liberdade, expressão pessoal, abertura ao outro, valorização da experiência estética e preservação do património”. 
Ainda segundo o referido documento, o PNA tem por objectivo conjugar várias iniciativas já existentes, como a Rede de Bibliotecas Escolares, o Plano Nacional de Cinema, o Programa de Educação Estética e Artística, o Plano Nacional de Leitura, e a Rede Portuguesa de Museus, entre outros programas igualmente ligados às áreas artísticas. Aliás, esta é umas das linhas orientadoras do projecto, juntamente com outras, tais como: a colaboração com entidades públicas e privadas; o envolvimento da comunidade educativa nas actividades culturais; a aproximação dos cidadãos às artes; as parcerias entre artistas, professores e alunos; a articulação entre equipamentos e agentes culturais, sociais e profissionais; etc. Estão igualmente previstos cursos de formação continuada destinados a professores e educadores, bem como a artistas e outros agentes culturais e sociais. 
Em comunicações previamente enviadas à Agência Lusa os responsáveis pelos Ministérios da Educação e da Cultura destacaram os propósitos gerais do PNA. Tiago Brandão Rodrigues sublinhou que este tem “como missão garantir que a arte existe porque existe escola e a escola existe porque existe arte”, e que “o perfil dos alunos determina que a sensibilidade estética e artística é uma competência essencial a desenvolver”. Por sua vez, Graça Fonseca fez saber que “com o Plano Nacional das Artes, as escolas vão ter um projecto cultural desenhado à sua medida e as artes terão um papel preponderante nos recursos pedagógicos disponíveis para a comunidade educativa”. A ministra destacou a possibilidade da convivência entre artistas e comunidade escolar, através daquilo a que chama de “residências artísticas”. Ou seja, as escolas poderão contar com um artista residente, durante um determinado período de tempo, de modo a proporcionar aos alunos um contacto directo com o processo criativo e, quem sabe, fazerem parte dele. 
Para algumas escolas a iniciativa não trará grandes dificuldades de ajustamento. É o caso do Agrupamento de Escolas Gomes Monteiro, em Boticas, que há 5 anos tem um projecto que vai nesse sentido. Falo do Plano de Promoção das Artes, sobre o qual já me referi neste mesmo jornal e que merece ser lembrado, visto que muito do que propõe o PNA é trabalhado neste agrupamento de escolas desde a criação do seu projecto. No ano lectivo que há pouco findou foi criado o Espaço CriARTE, que permitiu aos alunos o contacto com artistas, e bem assim com a arte, dentro e fora da escola, contando com a colaboração da comunidade educativa, autarquia e outros agentes sociais. 
Todas as medidas ou iniciativas que se destinem a promover as artes na escola, e desse modo contribuírem para a formação do aluno/cidadão e para elevar o seu nível cultural, recomendações frequentemente feitas por várias instâncias nacionais e internacionais (CNE, UNESCO, OCDE, Eurydice, etc.), são sempre louváveis e bem-vindas. Esperemos agora, e no âmbito da política cultural, que não faltem os prometidos apoios, em especial a abertura de uma linha de financiamento público da Direcção Geral das Artes e do Instituto do Cinema para apoiar as actividades deste plano que, segundo a ministra da Cultura, contará com uma verba inicial de 500 mil euros. Por outro lado, torna-se imperiosa uma mudança de mentalidades/cultura no seio da escola e, por arrasto, na própria sociedade, para que as artes ganhem o espaço que merecem.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Espaço CriARTE, mais do que uma sala de aula


No âmbito do Plano de Promoção das Artes (PPA) do Agrupamento de Escolas Gomes Monteiro (AEGM), de Boticas, um projecto que decorre pelo quinto ano consecutivo, este ano lectivo foi criado por mim um novo espaço dedicado às artes plásticas. Trata-se do espaço CriARTE. Mas antes de passarmos a ele, passo a resumir em que consiste o PPA. 
É nada mais, nada menos do que um bom exemplo de como a escola pode e deve contribuir para a uma educação integral dos jovens. Assim, o AEGM apostou em espaços de aprendizagem não formais diversificados, onde o aluno é protagonista de um projecto que acomoda diferentes dimensões, a saber: lúdica, artística, estética, cultural, cívica e ética. E foi através da criação de diversas oficinas que o AEGM começou a trilhar um caminho, com o claro propósito de dar um contributo efectivo para a educação e formação do aluno. Esta resposta educativa não exclui ninguém, nem se fica pelo interior das paredes da escola. Para além das famílias, o PPA conta com o apoio da autarquia de Boticas. 
Do pré-escolar ao 9º ano, incluindo a educação especial, ninguém fica fora da fruição das artes, da cultura, e bem assim, da cidadania. O PPA inclui as oficinas da leitura & escrita, da dança, do jogo, da música, da imagem, assim como de artes plásticas. E daqui regressamos ao Espaço CriARTE. Em concreto, tratou-se de uma transformação que operei na minha sua sala de aula, de Educação Visual (3º ciclo), convertendo-a num espaço polivalente. Assim, para além da actividade lectiva, a sala funciona como galeria de exposições, ateliê/oficina de artes plásticas e espaço para worshops levados a cabo por artistas convidados. O espaço CriARTE conta, entre outros equipamentos/recursos, com computadores para pesquisas na Internet ou para a apresentação de ideias ou projectos dos alunos, bem como um pequena biblioteca com livros e revistas sobre arte, design e arquitectura. O trabalho de educação artística e estética levado a cabo não se restringe àquele espaço. Do projecto constam igualmente visitas de estudo a ateliês de artistas, galerias, museus e outros espaços onde os alunos possam fruir das artes. Para tal, a iniciativa conta naturalmente com a colaboração de outros agentes, como por exemplo os artistas que já referimos, mas também outras figuras ligadas às artes, tais como, arquitectos, designers, etc.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Sobre a cultura e a miopia


Desde há cerca de três décadas que ouvimos críticas (justíssimas, diga-se) dirigidas aos sucessivos governos, a respeito da mísera percentagem do PIB recorrentemente atribuída à cultura. É sobre esta questão que se deveria actualmente centrar a atenção, em vez da guerrilha fastidiosa instalada entre os aficionados e os críticos das touradas. A despesa com a cultura nunca passou de escassas décimas percentuais do PIB. Só para ter uma ideia, e segundo dados da Pordata, entre 1995 e 2017 variou entre os 0,1% e os 0,4%. E também ainda não é no orçamento de Estado para 2019 que vamos ver o tão ansiado 1% de despesa (melhor dizendo, investimento) do PIB neste sector. Aliás, desde de 2013 que ininterruptamente ficamos pelos 0,1%, o mais baixo de sempre. Portanto, a “tróica” mantém-se na cultura! Um governo, um país, uma nação que não coloca nas suas prioridades o investimento na cultura, não pode aspirar a níveis elevados de desempenho nos mais variados planos, seja político, económico, educativo ou social.
Ao nível autárquico outras formas de indignação se levantam sobre o tema em questão. Não tanto a respeito do montante atribuído à cultura pelos municípios, mas sim o que dentro da agenda cultural consideram prioritário. Deixando de parte o investimento na construção ou recuperação de equipamentos culturais ou na promoção do património, tradições ou certames do concelho, só para dar alguns exemplos, percebe-se que algumas autarquias têm uma lista de prioridades (porventura alinhada com aquilo que poderá trazer, no futuro, algum retorno eleitoral), no que respeita às artes do espectáculo e às artes visuais. Sobre estas últimas, a minha experiência tem-me dado a conhecer algumas situações pontuais de clara discriminação, nalguns casos revestida de sobranceria, com que algumas delas tratam os artistas, em especial os artistas plásticos, no momento da discussão das condições necessárias para acertar uma eventual exposição.
De um modo geral, e no que me toca, até nem me posso queixar. As várias exposições de pintura que já levei a cabo em vários municípios resultaram de uma compreensão e respeito mútuos. No entanto, pontualmente lido com casos que têm tanto de hilariante como de indigno, ao mesmo tempo que são reveladores da impreparação de certas pessoas para dirigirem um pelouro da cultura. Seja um vereador, seja alguém a quem sejam delegadas competências neste departamento. Alguns amigos, pintores e escultores, vão-me dando naturalmente conta de iguais experiências.
Ora é sabido que em muitas autarquias não faltam recursos nem dinheiro para apoiar certas actividades culturais, muitas delas de qualidade duvidosa, desde que tais satisfaçam as massas… Falamos em valores na ordem das centenas ou milhares de euros. Escuso-me a dar exemplos dessas actividades. Mas quando se trata de uma exposição de artes plásticas, aí surgem as mais variadas restrições, especialmente financeiras, para logo colocar um impasse ou mesmo abortar a realização de tal evento. Passo a dar um exemplo. Para concelhos que distem da minha residência mais de 60/70kms coloco como condição legítima, o pagamento das despesas de deslocação. Na generalidade dos casos, isso traduz-se em montantes que têm variado entre os 50€ e os 150€, dependendo obviamente da distância. Lembro que esses valores (uns trocos para um município!) incluem duas deslocações: uma para a montagem da exposição e outra para a desmontagem. Dá-se o caso que em contactos com algumas autarquias, habitualmente feito por correio electrónico, depois de estabelecer acordo acerca da logística que uma exposição normalmente implica, sempre feito sem qualquer entrave, eis que se segue um silêncio absoluto após a apresentação da condição do pagamento das despesas de deslocação! A inicial conversa simpática e cordial repentinamente dá lugar à retirada. Compreendo o silêncio, pois fosse qual fosse a resposta, seguramente que seria pouco abonatória para as edilidades, pois poria a nu a miopia que nalgumas delas abunda!
Portanto, os munícipes desses concelhos e visitantes ficam privados de fruir da arte, de um sector da cultura, pelo facto de determinado autarca entender que os artistas plásticos não têm, bem entendido, estatuto para colocar tamanha e ousada condição!
E que dizer daquelas autarquias que, para que um artista plástico possa expor num dos espaços sob alçada da autarquia, exigem a oferta de uma das suas obras?! A esses repondo sempre o mesmo: “não ofereço pinturas, vendo-as!”

domingo, 11 de março de 2018

Das minhas Sonoridades Cromáticas aos Deuses de Barro de Agustina Bessa-Luís


O dia 10 Março teve a particularidade de juntar, no mesmo espaço, a minha pintura e a literatura de Agustina Bessa-Luís. O acontecimento deu-se na Biblioteca Municipal Albano Sardoeira, em Amarante, durante a inauguração de mais uma exposição minha, numa terra que me é muito querida, dado eu ter vivido aí parte da minha infância e juventude.
“Sonoridades Cromáticas”, assim se chama a colecção de telas, acabou por servir, simultaneamente, como espécie de cenário e mote de partida para a apresentação de uma obra inédita da escritora, também ela com raízes nesta cidade do Tâmega, dado ter nascido na freguesia de Vila Meã. Por motivos de saúde a autora não pôde estar presente, ficando a apresentação a cargo da sua filha, Mónica Baldaque, que prefaciou o livro. Escrito por Agustina aos 19 anos, o romance, que dá pelo nome de “Deuses de Barro”, manteve-se desconhecido até à sua publicação no ano passado, mais concretamente, durante 76 anos. Foi graças ao trabalho de pesquisa e recolha da filha que o mesmo viu a luz do dia.
Na abertura da exposição, com casa cheia, fiz questão de sublinhar que foi para mim um enorme prazer e privilégio associar-me ao lançamento de uma obra literária de tão ilustre escritora, e por isso felicitei a Câmara Municipal de Amarante, representada pela sua Vice-Presidente, Lucinda Fonseca, e a Vereadora Rita Batista, pela feliz iniciativa de associar a pintura à literatura. Os elogios estenderam-se ao notável espaço onde estão instaladas as pinturas, bem como à organização primorosa da exposição. Seguiu-se a visita guiada por mim, na companhia dos elementos da vereação e de Mónica Baldaque, com quem o mantive uma longa conversa, e da qual obtive ainda um exemplar do romance de Agustina, com dedicatória. Por último, foi então feita a apresentação dos “Deuses de barro”, seguido do visionamento de um documentário televisivo sobre a vida da escritora.

sábado, 2 de julho de 2016

Exposição de pintura no "Museu Municipal - Museu do Móvel" de Paços de Ferreira

No passado Sábado, dia 2, chegou a vez de dar a conhecer a minha colecção de pinturas, do projecto Fragmentos Urbanosa, no Museu Municipal – Museu do Móvel de Paços de Ferreira. 
Coube ao director do museu, o Dr. Mário Leal, fazer as honras da casa, tendo este começado por agradecer a presença do público, bem como a minha, tendo-me endereçado os maiores elogios pelas minhas pinturas. Agradeci naturalmente as amáveis palavras que lhe foram endereçadas 
pelo director do museu, à autarquia pelo seu convite, aproveitando aqui para felicitá-la pelas condições excepcionais do espaço de galeria/exposição, e também, claro está, a presença do público. Prossegui com uma curta explicação sobre temática explorada nas suas pinturas, completada com uma análise estética.
O momento foi abrilhantado com um recital de poesia e música, levado a cabo pelos alunos da Universidade Sénior de Paços de Ferreira. Depois seguiu-se uma visita guiada por mim, que terminaria com um Porto de Honra para todos os presentes.
A exposição estará aberta ao público durante dois meses, ou seja, até ao dia 3 de Setembro de 2016.



quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Espaço para as Artes e a para criação

“Nem só o que cria riqueza e emprego tem o direito de erguer os olhos para o céu em busca de uma luz que, em regra, lhe é recusada”.
José Jorge Letria

O Plano de Promoção das Artes (PPA), que decorre pelo segundo ano consecutivo no Agrupamento de Escolas Gomes Monteiro, de Boticas (AEGM), é um bom exemplo de como a escola pode e deve contribuir para a uma educação integral dos jovens. Ao contrário do que tem sido a prática de algumas escolas, que privilegiam o aumento da carga curricular de algumas disciplinas (em particular, a Matemática e o Português), já de si elevada e desproporcionada relativamente a outras que merecem igual destaque, o AEGM aposta, e bem, em espaços de aprendizagem não formais diversificados, que se cruzam e onde o aluno é protagonista de um processo que conta com diferentes dimensões, nomeadamente, a cívica, artística, estética, poética, cognitiva, afectiva e ética.
Contra o seguidismo acrítico de uma política educativa obtusa e reaccionária, engendrada pelo pior ministro da Educação do Portugal democrático, Nuno Crato, cujo foco, e em matéria curricular, pouco mais foi para além da Matemática, o AEGM decidiu-se por repor alguma justiça, ao “devolver” às disciplinas de Educação Musical, Educação Visual, Educação Tecnológica e Educação Física alguns tempos semanais, uma vez que estas têm vindo a ser desfalcadas de carga lectiva há vários anos. Mas este não é o grande propósito do PPA, mas sim, e de acordo com o supra-referido, o de dar um contributo expressivo para a formação holística do aluno, algo cada vez mais premente nos dias que correm.
A iniciativa do PPA partiu da subdirectora do AEGM, a professora Ana Luísa, também ela uma figura com sensibilidade estética e ligada às artes. Não surpreende, por isso, a ideia e o interesse em avançar para um projecto tão abrangente, que reunisse várias sinergias. Esta resposta educativa, de enorme valor, não exclui ninguém, nem fica apenas dentro de paredes. Para além das famílias, o PPA conta com o apoio da autarquia de Boticas.
Do pré-escolar ao 9º ano, incluindo a educação especial, ninguém fica fora da fruição das artes e da cidadania. Assim, e começando pela Educação Pré-Escolar, o PPA inclui o projecto “Oficina do Livro”, que integra e cruza áreas como a dança, teatro, expressão plástica, expressão musical, cinema e abordagem à escrita. No 1º Ciclo, o projecto “Educar para as artes” aborda, quer no âmbito do currículo, quer nas actividades de enriquecimento curricular, as mesmas áreas de expressão. Já nos 2º e 3º ciclos, a promoção das Artes faz-se através das seguintes 7 oficinas: leitura & escrita, dança, música, imagem, cor, forma e pintura. Esta última da minha responsabilidade.
Este ano, e volvidas apenas 4 semanas do início efectivo das actividades, o agrupamento conta já, só no total dos alunos dos 2º e 3º ciclos, com cerca de metade de inscrições voluntárias, sublinho. Ao longo do ano lectivo certamente que muitos outros irão aderir, tal como já aconteceu no ano lectivo anterior.
Outro aspecto de enorme relevância, que importa aqui destacar, é o intercâmbio que se verifica entre as diferentes áreas de expressão e as áreas curriculares.
As várias políticas educativas erradas, algumas gravosas e contraproducentes, verificadas desde há vários anos; a ignorância e os preconceitos relativamente às artes e à cultura, tantas vezes espelhado por governantes e muita da opinião pública; a desagregação da União Europeia, particularmente ao nível de políticas sociais; a ascensão de partidos xenófobos, são apenas algumas das razões mais que evidentes e alarmantes para se arrepiar caminho, tentar recuperar algum do tempo perdido, e dar o espaço que as artes e a cultura merecem na educação e formação do sujeito cidadão, quer no propósito de firmar a identidade de uma nação, quer na difícil, mas necessária consolidação dos laços entre povos, fazendo da Europa um verdadeiro lugar de interculturalidade e solidariedade.
De certa forma, o texto introdutório do presidente do Parlamento Europeu, Martins Schulz, num estudo encomendado pelo Grupo Europeu de Sociedades de Autores, apresentado a 2 de Dezembro de 2014 à Comissão Europeia, vai ao encontro deste ditame: “A Europa está assente numa história de partilha e num rico património de diversidade cultural. Esta herança é partilhada pelos povos da Europa como algo cujo valor nos é comum. Isso dá à nossa União a sua identidade e é o cimento que a mantém unida. Eis a razão pela qual a Europa deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para preservar esse legado. A cultura é um dos maiores investimentos e riquezas da Europa”.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Casa do Tempo


No passado dia 17 de Julho foi inaugurada mais uma exposição minha, desta vez em Cabeceiras de Basto, num maravilhoso espaço cultural que dá pelo nome de Casa do Tempo. Fica já o concelho para que o visitem. Vale realmente a pena. Ah, e já agora aproveitem para visitar a exposição!
Realço a forma calorosa e profissional com que fui recebido pela autarquia, que desde o primeiro contacto manifestou total disponibilidade para organizar a exposição. O evento foi abrilhantado pela participação e animação musical do grupo Cavaquinhos da Raposeira, cujo “líder” é um velho amigo que reencontrei, depois de 20 anos sem ter notícias dele.

Não faltou champanhe para brindar todos os presentes, numa noite de Verão bastante agradável.
A exposição estará patente até ao dia 3 de Setembro.




quarta-feira, 20 de maio de 2015

“CASAS TRANSMONTANAS - Um olhar distinto”

Este é o título da minha exposição de pintura, inaugurada no dia 16 de Maio, em Vinhais. O conjunto de vinte aguarelas, de diferentes dimensões, estará patente ao público até ao final de Junho, no Centro Cultural Solar dos Condes de Vinhais. Trata-se de um edifício dos antigos condes de Vinhais, pertencente à família Costa e Pessoa, denominadas «Casas Novas». Este imóvel, com várias valências, está classificado como Imóvel de Interesse Público. O espaço de exposição


Nessa exposição dou a conhecer uma perspectiva diferente ou alternativa da realidade, através de um registo estético feito de cor, luz e movimento, por oposição ao tom rude e acinzentado que, e de um modo geral, caracteriza a típica casa transmontana.

sábado, 11 de abril de 2015

E pur si muove


E pur si muove (“E no entanto ela move-se”), terão sido as palavras sussurradas por Galileu Galilei, ao terminar a leitura da renúncia a que havia sido forçado pela Inquisição, em Junho de 1633. Tratou-se, como é sabido, de obrigá-lo a desmentir publicamente o que tinha sido e continuava a ser sua profunda convicção, isto é, de que é a Terra que gira à volta do Sol e não o contrário.
Tomei emprestadas as palavras de Galileu, que dão título à minha exposição, patente no Museu Armindo Teixeira Lopes, em Mirandela, não para desafiar uma qualquer autoridade religiosa através da Ciência, mas simplesmente para desafiar o senso comum através da Arte. Neste caso, incitar o espectador a fazer as leituras que a sua imaginação for capaz de gerar, a partir da análise de um conjunto de pinturas.
Este é um dos poderes da Arte, o de despertar consciências, libertando-as de preconceitos e de ideias, frases ou imagens feitas, dando a possibilidade, a quem dela fruir, de reinterpretar, recriar, ou tão-somente questionar.
O resultado final é aquele que o público poderá ver ou sacar numa primeira impressão, ou seja, um conjunto de construções, velhas ou em ruínas, feitas de linhas e cores livres e animadas, que convidam o espectador a embarcar na vida e movimento que elas insinuam, num registo estético que roça o surreal. E no entanto elas movem-se…


sábado, 7 de março de 2015

Particularidades na inauguração de uma exposição de pintura


Na passada quarta-feira, dia 4, foi o dia da inauguração da minha exposição Metamorphosis, desta vez em Chaves, no Centro Cultural. Apoiada e organizada pela Associação Chaves Viva e pelo município, a exposição abriu assim ao público, e estará patente até ao dia 19 deste mês.
O espaço é notável, uma vez que, além de amplo, é, como convém, todo ele rodeado de paredes brancas (algumas delas amovíveis) e iluminação adequada, ou seja, individualizada.
Queria apenas acrescentar mais três notas: a primeira, a abertura feita por um trio de jovens da Academia de Música de Chaves, que brindaram os presentes com uma composição musical tocada com xilofones, de uma forma brilhante; a segunda, e já que falo de jovens, foi a agradável surpresa de contar com uma dezena e meia deles, que vieram assistir à inauguração; por último, não é qualquer um que se pode dar ao luxo, num evento destes, de contar com a presença de um artista popular, "caído de paraquedas", que durante a visita recitou poemas e tocou músicas de sua autoria, proporcionando, assim, um ambiente agradável aos visitantes. Não podia pedir mais!
No final, e para minha surpresa, fizeram-me a “maldade” de me entrevistarem para o canal online Chaves TV1!
Ficam os meus agradecimentos, em especial à Chaves Viva, pela divulgação da exposição nos diversos meios de comunicação social e o acolhimento caloroso.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Nadir Esculpido

Os meus artistas do 6º ano de escolaridade, do Agrupamento de Escolas Gomes Monteiro, de Boticas, desenvolveram um conjunto de esculturas, ao qual lhe dei o título de “Nadir Esculpido”. Partindo de materiais reaproveitáveis e inspirados na estética e obra de Nadir Afonso, assim é prestada uma homenagem ao pintor.
Não será demasiado dizer que para alunos com idades que variam entre os 11 e os 14 anos, a qualidade dos trabalhos é, no mínimo, notável! Num trabalho de pura criatividade e de fruição estética, onde o entusiasmo e a atitude de pesquisa e descoberta estiveram sempre presentes, estes jovens foram, pouco a pouco, dando forma aos materiais de que dispunham, culminando com breves apontamentos gráficos e cromáticos, tomados emprestado do colorido e das linhas que caracterizam uma boa parte das obras do mestre Nadir Afonso.

Depois de uma primeira exposição na escola, este acervo segui para o Centro de Artes Nadir Afonso, um lugar privilegiado e simbólico, já que representa um espaço de mostra de eleição da obra do artista plástico. A exposição estará patente até ao dia 14 de Março.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Saber bem receber e valorizar


Lá diz o velho ditado que “santos da casa não fazem milagres”. E eu que o diga! Por isso me sinto cada vez mais impelido a exibir a minha actividade artística fora do meu concelho, Vila Pouca de Aguiar. Não vou dizer que neste tudo é mau ou negativo. Estaria a ser injusto. Mas muito há ainda a fazer pela autarquia pelos artistas e outros agentes culturais da terra, que se vêem, não poucas vezes, obrigados a deslocarem-se para outras paragens, para aí sim, o seu trabalho ser reconhecido.
A questão vem a propósito da forma como, e pela segunda vez, fui recebido pela Câmara Municipal de Boticas, a respeito de uma exposição de pintura. Desde a abertura manifestada à minha proposta, passando pela preparação, divulgação até à inauguração da exposição, a hospitalidade e o profissionalismo de toda a equipa, a começar pela presidência e pelo pelouro da cultura, é qualquer coisa de notável.
Começa logo pelo espaço de exposição, os Paços do Concelho, de uma arquitectura moderna, amplo, luminoso e que transmite uma sensação de bem-estar aos seus visitantes. Falando por mim, sentimo-nos em plena galeria. Mas a forma como tudo é preparado, em especial a parte gráfica (cartazes, convites e cadernos/portefólios do artista/exposição) é simplesmente admirável. Vê-se e sente-se o carinho e o brio que está latente em toda a organização do evento cultural. Aliás, já tive a oportunidade de constatar este facto em muitos outros promovidos pela autarquia botiquense.

No dia da inauguração da minha exposição, no passado dia 22, onde habitualmente, neste tipo de eventos, estão presentes a vereadora da Cultura e o presidente e/ou vice-presidente da Câmara Municipal, umas horas antes sugeri, em tom jocoso, ao “operacional-mor” da agenda cultural da autarquia, o Sr. João Adegas, que a mesma promovesse umas acções de formação, subordinada ao tema “Saber bem receber e valorizar”, dirigidas às vereações da cultura de outras autarquias!

Em Boticas, terra onde desenvolvo a minha actividade profissional, sinto-me em casa.

Parabéns e obrigado à Câmara Municipal de Boticas.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Metamorphosis

Encontra-se patente no Teatro de Vila Real, desde o dia 6 de Janeiro, e até ao final do mês, uma exposição de aguarelas de minha autoria, com o tema, Metamorphosis. Assim como da larva amorfa e vagarosa emerge uma periclitante borboleta, no geral um insecto de formas e cores atractivas, segundo um processo de transformação complexo, também um conjunto de casas velhas, algumas em ruínas, podem metamorfosear-se noutras, de formas, linhas e cores com maior ou menor exuberância. Vida, movimento, irreverência e linhas de fuga marcam a dinâmica das figuras que são protagonistas em cada uma das composições visuais.